Home / Jornal da Ordem / 03.12.2010 12:43h

Lamachia manifesta contrariedade à proposição do ministro da Justiça sobre gravação de diálogos entre advogados e clientes nos presídios federais

03/12/2010 12:43h

O presidente da Ordem gaúcha, Claudio Lamachia, manifestou contrariedade diante da porposta do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, de gravação de todos os diálogos entre advogados e clientes nos presídios federais.
 
Conforme Lamachia, a violabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, arruína os preceitos constitucionais. Para o dirigente, se o advogado não tiver seus direitos respeitados, a sociedade retrocederá à época da ditadura, dando fim ao Estado Democrático de Direito. “Essa proposição é um desrespeito principalmente à sociedade e às prerrogativas dos advogados. Da mesma forma que o jornalista tem o direito ao sigilo da fonte e os médicos resguardam as informações contidas em seus consultórios psiquiátricos, o advogado tem o direito à privacidade com seu cliente”, afirmou.
 
Nesta semana, Barreto, anunciou que as regras para visitas de presos no Sistema Penitenciário Federal (SPF) podem se tornar mais severas, com o objetivo de evitar que os detentos repassem ordens para as organizações criminosas das quais fazem parte por meio de advogados, parentes ou esposas, por exemplo.
 
Bisbilhotice institucional
 
O presidente do CFOAB, Ophir Cavalcante, considerou inconstitucional, ilegal e inadmissível gravar as conversas entre advogados e clientes, pois impede o regular direito de defesa e alimenta a fome do "estado policialesco". “O que o ministro da Justiça deseja é criminalizar a advocacia. Trata-se de um abuso de autoridade e de um grave desrespeito à dignidade do ser humano. Não admitimos qualquer tipo de bisbilhotice no trabalho do advogado quando articula a defesa do seu cliente", afirmou Ophir.
 
Para o dirigente do CFOAB, não pode haver invasão e quebra da privacidade das pessoas sob o argumento de que tudo se pode fazer na intenção de se apurar um crime. O presidente da OAB ainda classificou como "lamentável" que o governo, sob o argumento de defesa da sociedade, queira retomar o estado de arbítrio do passado recente.

03/12/2010 12:43h



Anterior

Usina deve reparar agricultor por contaminação em lavoura

Próximo

Lamachia recebe presidente da Associação dos Juízes Federais, que propõe criação de canal de comunicação para ampliar diálogo

Principais notícias

Ver todas