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Saúde Mental é tema de debates no quarto dia da I Conferência Nacional da Saúde Online

21/08/2020 16:36h

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Com representantes das seccionais do Rio de Janeiro e de Rondônia, o quarto dia de debates da I Conferência Nacional da Saúde Online, promovida pela Comissão Especial da Saúde (CES) da OAB/RS, abordou a saúde mental e seus impactos, sobretudo, em relação às mudanças na vida de todos em decorrência da pandemia do novo Coronavírus. Psicólogos e psiquiatras completaram o painel que trouxe o debate da idealização e da busca incessante pela plenitude.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada (CMA) da OAB/RS, Cláudia Sobreiro, relacionou a saúde mental e a violência doméstica. Cláudia destacou o recente acréscimo de duas medidas protetivas de urgência na Lei Maria da Penha: o encaminhamento do agressor para grupos reflexivos e a possibilidade de acompanhamento psicossocial, dependendo da situação. “Precisamos olhar para a saúde mental desse agressor, na tentativa de quebrar o ciclo da violência. Na Vara de Violência Doméstica aqui de Porto Alegre, desde 2011, esse trabalho é desenvolvido, e o índice de reincidência entre os que passaram pelo acompanhamento é de apenas 4%”, informou.

A secretária-geral da Comissão de Direito Médico da OAB/RJ, Danielle Minchetti, relatou a exaustão física e mental da advocacia com a pandemia: “Saímos de uma rotina diária, programada, para uma atividade online de home office muito mais pesada, acumulando funções e com a cobrança, até obsessiva, por produção. Nós, do direito médico, ainda passamos por uma enxurrada de leis, decretos e resoluções na área da saúde que nos levaram a uma estafa mental”, relatou.

Em seguida, a presidente da Comissão de Direito Médico, Sanitário e Defesa da Saúde da OAB/RO, Enmanuelly Sousa Soares, descreveu a percepção que passou a ter do valor da rotina: “Notamos que a rotina é imprescindível, ela nos dava um tempo para respirar, sair para o almoço, levar os filhos na escola. Tudo isso nos foi tirado, agora temos que auxiliar nas aulas em casa, atender as demandas do escritório com um salto gigantesco no nosso trabalho devido às inúmeras dúvidas dos profissionais de saúde. Tudo é muito desgastante, mas, ao mesmo tempo, vemos que somos capazes de nos adaptar”, ressaltou.

A secretária-geral adjunta da OAB/RS, Fabiana da Cunha Barth, concordou com as advogadas em relação a sobrecarga de funções e seus impactos: “Havia toda uma rotina organizada para uma mulher, mãe, profissional e, de certa forma, tudo isso foi trazido para dentro de casa. Não há como não impactar em nosso bem estar. A Ordem gaúcha está atenta a esse debate e, inclusive, na IX Conferência Estadual da Advocacia, tivemos um painel sobre saúde mental e todos os cuidados que a Caixa de Assistência dos Advogados do RS oferece nesse sentido”, ressaltou.

Também participou da abertura o vice-presidente interino da CES, Cassio Martinez.

Debatedores

O psiquiatra Lucas Mendes de Oliveira abriu o painel, criticando a definição de saúde plena: “Acabamos idealizando essa busca. Não existe plenitude agora, não existia antes da pandemia e não vai existir nunca. O que podemos ter é uma maior autonomia psíquica possível. A nossa mente cria escapes para lidar com as situações ruins. Para algumas pessoas vai ser a ansiedade, outras vão se sentir mais deprimidas, outras terão perda de sono, outras vão consumir bebidas, drogas”, argumentou.

Oliveira destacou, ainda, que a pandemia não cria nada, ela só revela: “Temos que escutar essa tristeza e acolher os sentimentos para que nossas angústias sejam entendidas e administradas da melhor forma possível. O que posso dizer é: se está difícil, peça ajuda! Não importa para quem vai ser, mas peça”, aconselhou.

A psicóloga, Gicela Nicolini Hansen,  afirmou que falar sobre saúde mental ainda é um tabu em nossa sociedade: “Procurar um psicólogo, um psiquiatra ainda é tabu, mas muito mais do que a gente se ater aos conceitos e respostas fechados, a gente precisa pensar sobre saúde mental e os impactos que podem atingi-la. Vejo que, apesar das perdas que a pandemia nos trouxe, temos o ganho de perceber a importância desse debate. Antes de dar conta de tudo, precisamos cuidar da nossa mente e, o fato de todo o mundo estar sendo atingido ao mesmo tempo, potencializa essa percepção”, afirmou.

Também no painel da área da saúde, a psiquiatra Patrícia Lago falou sobre o momento em que a pandemia atingiu a humanidade: “Estávamos na era do narcisismo, com o ser humano se achando muito poderoso, a humanidade flertando com a ideia de imortalidade, em um momento de expansão da capacidade tecnológica, e aí vem um vírus  invisível e paralisa o mundo inteiro, todos os povos, independente de gênero ou situação econômica. Tomamos conhecimento das nossas falhas enquanto civilização e percebemos essa ilusão de onipotência que desenvolvemos. Espero que a gente não perca essa chance de perceber que temos que cuidar de nós mesmos”, descreveu.

Encerrando o painel com os profissionais da saúde, o psicólogo Maxwell Pavione abordou a busca incessante do ser humano por algo que lhe complemente: “A idealização do que é saúde mental pela grande mídia, seja em filmes, novelas, seja em redes sociais acaba por trazer uma insatisfação ao ser humano. Essa angústia gera essa busca de algo que nem sabemos o que é. Estamos permitindo que o outro nos modele”, ponderou.

A presidente da CES, Mariana Diefenthäler, foi a mediadora do debate entre psicólogos e psiquiatras convidados. “Podemos notar que a carga psíquica e emocional é uma tônica entre nós. Não vamos encontrar fórmulas, nem na administração, nem no Direito, pois é uma construção individual, cada um buscando sua jornada pelo bem estar”, encerrou.

Homenagem

Durante o evento, todos se solidarizaram com a família e os amigos da conselheira seccional e ex-presidente da subseção de Canoas, Eugênia Reichert, que faleceu na quinta-feira (20). Em sua fala, a secretária-geral adjunta da OAB/RS prestou uma homenagem à advogada e colega de Ordem. Fabiana leu um trecho de O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano – Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo. –  “Assim era Eugênia, uma imensa fogueira, de muita luz, que deixou profundas marcas na Terra e, agora, está indo, certamente, para um lugar melhor de onde vai poder observar essa imensidão de fogueiras. Em sua homenagem, temos que deixar nossa chama cada vez mais acessa”, concluiu.

Mês da Advocacia         

Capacitações, cursos, debates, eventos e palestras são algumas das diversas opções da programação do Mês do Advogado, que ocorre no mês de agosto de forma completamente virtual. O Mês do Advocacia é promovido pela Ordem gaúcha, em parceria com a Caixa de Assistência dos Advogados (CAA/RS), a Escola Superior de Advocacia (ESA) e as diversas Comissões da OAB/RS.

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21/08/2020 16:36h



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